A cada três dias um homicídio é registrado em Montes Claros
sexta-feira, 15 de março de 2013Os casos de violência em Montes Claros estão deixando a população assustada. Do início de 2013 até agora foram registradas 22 mortes na cidade, o que equivale a uma morte a cada três dias.
Preocupados com o problema, autoridades das Polícia Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal e representantes do Judiciário estiveram reunidos no início da tarde desta terça-feira (12), para discutir medidas que possam reduzir a incidência de homicídios em Montes Claros (MG).
“Estamos buscando uma ação integrada dos orgãos de Defesa Social visando uma intervenção pontual, focada no tráfico de drogas, que é o principal crime que tem estimulado os homicídios”, explica o chefe da 11ª Região Integrada de Segurança na cidade de Montes Claros, coronel César Ricardo de Oliveira.
Dos cinco homicídios registrados na cidade neste mês, quatro ocorreram em bairros diferentes. Três foram cometidos de sábado (9) para domingo (10). No momento, a polícia investiga a relação entre os crimes, já que a arma utilizada e as motos são semelhantes. Também não é descartada a relação das mortes com líderes do tráfico já presos.
O chefe do 11º Departamento de Polícia Civil de Montes Claros, Rogério Evangelista, diz que “os assassinatos não estão concentrados em determinados lugares e ocorrem devido as ações articuladas por integrantes de quadrilhas ou gangues que operacionalizam o tráfico.”
Para o comandante da Companhia de Missões Especiais da PM, major Adriano Ribeiro de Freitas, o tráfico é o “propulsor do homicídio e do roubo”. Ele esteve noite desta segunda-feira (11), no bairro Conferência Cristo Rei, onde um suspeito foi morto após uma troca de tiros coma PM, quando fugia depois de atirar em um adolescente de 14 anos.
Segundo ele, os crimes de homicídio e roubo servem como captação de recursos para movimentar o tráfico. Por isto, o major destaca a necessidade de um combate especializado e de uma repressão qualificada para frear o avanço das drogas, que se tornaram um problema social presente em todo o mundo.
O promotor, Fábio Márcio Lopes Pinheiro, que também particpou da reunião, destaca a importância da iniciativa para a punição dos culpados. “A promotoria é a destinatária das provas produzidas pelas polícias, após o encaminhamento ao MP, buscamos em judicalmente as responsabilidades criminais. Com a iniciativa visamos melhorar a qualidade das provas para obter os resultados.”
Suspeitos de homicídio presos
Durante a reunião foram apresentados dois suspeitos de um homicídio e de uma tentativa em 12 de janeiro deste ano. Kelson Willian de Jesus, conhecido como Seu Beto, de 22 anos, e que seria o mandante do crime, e Maycon Raelmir Rodrigues, vulgo Marquinho, de 21 anos, suposto executor. Fabrício de Jesus, ‘Pezão’, também teria participado do assassinato. Eles foram presos por meio de mandado de prisão na manhã desta segunda (12).
O chefe da Delegacia de Homicídios justificou os pedido de prisão temporária e disse que o cumprimento dos madados foi uma ação conjunta da PC, do Grupo de Proteção a Vida da PM e do poder Judiciário. Com os suspeitos foram apreendidos R$787 e uma corrente de ouro avaliada em R$5 mil. “Os presos estavam passando próximo a casa da vítima sobrevivente e de seus familiares, atrapalhando as investigações, e para evitar novos crimes, solicitamos as prisões, até que haja a conclusão do caso e encaminhamento para a Justiça”, diz Bruno Resende.
Segundo informações da polícia, os suspeitos são reincidentes. Maycon é sobrinho do traficante conhecido por ‘Ninha’, que está preso. O suspeito já cumpriu pena por homicídio e estava em liberdade. Kelson seria um dos chefes do tráfico do bairro Esplanada e também já foi preso por este crime. Fabrício também já está encarcerado por homicídio.
Sobre a reincidência criminal, o promotor Fábio Márcio explica que “o tratamento da Justiça com quem tem passado criminoso é de mais rigor, os processos tramitam com severidade e esperamos a sensibilidade do Judiciário para que o andamento seja célere, para que haja punição efetiva para quem infringir a lei.”
Fábio Márcio ainda aponta que a celeridadee influenciada por alguns fatores, como a morosidade dos prazos processuais, estratégias da defesa dos suspeitos e a sobrecarga dos juízes.
O delegado Bruno Rezende aponta também que os crimes têm relação com a disputa de poder por parte de gangues rivais, movidos por vingança, por exemplo. “Na criminalidade ninguém atua sozinho, e nestes casos, os executores normalmente agem com ordens específicas”, conclui. Mais quatro prisões de envolvidos com homicídios foram pedidos pela Polícia Civil.
Fonte: G1


